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Bromélias indicam influência da arborização urbana na qualidade ambiental

Estudo inédito da USP, em parceria com a Unesp de Registro, ocorre em áreas da Prefeitura e integra o Plano Nacional de Arborização Urbana

Atualizado em 02/02/2026 às 12:02, por .

Árvore urbana abriga bromélias e outras plantas epífitas presas ao tronco e aos galhos, com destaque para um cesto suspenso entre a vegetação. A imagem evidencia a convivência da flora nativa com o ambiente urbano, sob céu azul, reforçando a importância da arborização e da biodiversidade em áreas da cidade.

Árvore abriga bromélias e outras plantas epífitas

A cidade de Registro é uma das sedes de um estudo científico de alcance nacional, executado pela Universidade de São Paulo (USP), que utiliza bromélias como indicadoras ambientais para avaliar a influência da arborização urbana na qualidade do ar e no conforto ambiental das cidades. A pesquisa integra o Projeto Temático financiado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, com apoio da FAPESP e parcerias público-privadas, e contribui com dados técnicos para o Plano Nacional de Arborização Urbana (PLANAU), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática. 

Lançado durante a COP30, o Planau estabelece diretrizes para ampliar e qualificar a vegetação urbana no Brasil até 2045, com a meta de ampliar a presença de árvores nas ruas e reduzir os efeitos das ilhas de calor. O plano faz parte do programa Cidades Verdes Resilientes e prevê suporte técnico para substituição de espécies exóticas por nativas, manejo especializado e fortalecimento de viveiros. 

O projeto-piloto contempla 12 municípios brasileiros: Registro, Cubatão, São Paulo, São Carlos, São José dos Campos, Lorena, Campinas, Campo Grande, Maringá, Santarém, Arapiraca e Maceió. Em Registro, o estudo ocorre em áreas da Prefeitura localizadas nos bairros Jardim San Conrado, Agrochá, Vila Tupi e Alay Corrêa. 

Os bairros foram selecionados a partir de critérios técnicos definidos pela Unesp Registro, que consideraram áreas com maior cobertura vegetal e regiões com baixa arborização, além de indicadores socioeconômicos, sombreamento e valorização urbana. Em cada bairro, as amostras foram distribuídas em um raio de 500 metros, do perímetro ao centro do território.

A metodologia adota biomonitoramento com bromélias, utilizadas como indicadoras da poluição atmosférica. Ao todo, são 120 amostras, sendo 30 por bairro. As plantas permanecem expostas por 85 dias e, após esse período, seguem para análise no Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente CEPMA da USP, em Cubatão. O estudo integra a tese de doutorado de Lucas Monteiro de Carvalho Silva, do Instituto de Energia e Ambiente da USP, que mede a qualidade do ar em diferentes pontos urbanos. 

O projeto segue a diretriz internacional 3:30:300, incorporada ao Planau, que recomenda ao menos três árvores por rua, 30% de cobertura vegetal por bairro e acesso a áreas verdes em até 300 metros. Os dados obtidos alimentam um banco nacional e auxiliam na compreensão dos serviços ecossistêmicos prestados pela arborização urbana, com impacto direto na qualidade de vida da população.

A pesquisa, coordenada pelo Prof. Doutor Maurício Lamano da USP de Lorena, tem a parceria da Unesp Registro, viabilizada pelo professor de Floricultura e Paisagismo, Dr. Marcelo Vieira Ferraz, responsável por articular a realização do estudo no município, além do apoio da Prefeitura de Registro, por intermédio da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e da Diretoria de Meio Ambiente.

Ferraz destaca que esta é a primeira fase do projeto. Para os próximos meses, estão previstas novas etapas no município, incluindo o mapeamento das calçadas, a avaliação do conforto térmico da cidade, estudos sobre acessibilidade urbana e diversas análises voltadas a compreender como o verde urbano interfere na saúde da população. 

Segundo os pesquisadores, o objetivo futuro é ampliar o estudo para escolas, unidades de saúde e áreas de interesse (parques, praças etc.). Na Unesp de Registro, já existe um projeto voltado ao mapeamento das espécies arbóreas em áreas externas de instituições de ensino da cidade que pode complementar essa pesquisa. A iniciativa reforça o papel da arborização urbana como ferramenta de saúde pública, justiça ambiental e planejamento urbano sustentável.